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Principal > Cinema
> Murilo SallesNovo filme de Murilo Salles será lançado dias 19 e 20 em Brasília Brasília
- "Seja o que Deus quiser" é o mais novo filme de Murilo Salles que terá
sessões especiais de pré-estréia nos dias 19 e 20 de setembro, dentro do
Festival Internacional de Cinema da Academia de Tênis. No dia 26 de setembro,
ele entra em cartaz no circuito comercial de cinema. O diretor e dois atores
estarão presentes às sessões.Sinopse Caqui, VJ da MTV de São Paulo, vai ao Rio de Janeiro fazer reportagem sobre uma nova banda formada por moradores do Morro do Alemão. Durante a gravação ela conhece PQD, um dos músicos, e acaba tendo um caso com ele. No dia seguinte, enquanto PQD vai à padaria comprar o café da manhã, dois pivetes invadem sua casa, seqüestram Caqui e a levam até um caixa eletrônico. Nervosa, ela erra a senha e invalida o cartão, sofrendo as consequências por sua falha. Na delegacia, machucada, apresenta queixa contra PQD. O músico é surpreendido com a notícia de que a polícia está subindo o morro atrás dele. Não vê outra alternativa senão ir para São Paulo convencer Caqui de sua inocência. Mas acaba caindo nas mãos do irmão da VJ, Nando, um "kid just for fun" da noite paulista, que tenta convencer o músico carioca a dar um golpe para, com a grana, fazerem uma farra. A partir daí, então, seja o que Deus quiser!… Em
1996, Murilo Salles já era um cineasta experiente, formado nos tempos em
que Cinema Novo e Cinema Marginal disputavam os rumos de nosso cinema,com
uma carreira de diretor de fotografia, seguida pelo trabalho como diretor
de vários curtas e cinco longas. Naquele incerto momento pós-Collor, Murilo
apresentou ao país Como nascem os anjos, filme fundamental para o chamado
“cinema da retomada ”, por ter reposto em pauta, sob formas contemporâneas,
a escandalosa desigualdade social brasileira. O filme foi inaugural na criação
de motivos que se tornariam marcantes ao longo da década seguinte: uma situação
de impasse criada pelo encontro inusitado entre personagens vindos de pólos
sociais opostos, a TV como referência onipresente e mediadora das ações,
os favelados tentando superar o estigma (e a opressão) do narcotráfico pela
alternativa integradora da performance musical. Seja
o que Deus quiser! retoma e aprofunda caminhos abertos pelo pioneiro filme
anterior. Novamente, a comédia de erros é o modo de dar forma dramática
às relações entre ação individual e padrões sociais. Em Como nascem os anjos
a sucessão meio absurda de equívocos envolvia não só tensões interclassistas,
como “mancadas ” entre os pobres, que acabavam por precipitar a catástrofe.
Na história de PQD, jovem músico negro e pobre que se vê enredado num mundo
que lhe é estranho, quem age, de golpe em golpe, são os jovens “moderninhos”
da elite. O título Seja o que Deus quiser! já anuncia a ironia: a aparência
errática e vertiginosa assenta-se sobre os pilares de nossa tradição de
“ordem e progresso”. O que “Deus quer” é cruel, como descobre PQD. Sujeito
cordato e de boa vontade, armado de versos de rap e partido alto, ele é
exceção, vítima de um enxame de figuras vampirescas “plugadas” nos circuitos
de um “outro planeta”, movidos a narcisismo e música eletrônica. Transcrito da Agência Brasil/Radiobras |
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